Blushwood é um nome associado à planta que despertou interesse por substâncias investigadas em oncologia. Entre elas está o tigilanol tiglate, também chamado EBC-46. O estudo de uma substância isolada não demonstra que consumir frutos, óleos ou extratos da planta produza o mesmo resultado.
O que foi estudado em pessoas?
Um estudo de fase I publicado em 2019 avaliou a aplicação intratumoral de tigilanol tiglate em 22 pacientes com tumores acessíveis e resistentes a tratamentos convencionais. O trabalho investigou segurança, tolerabilidade, farmacocinética e sinais preliminares de atividade.
Foi um estudo aberto, sem randomização e sem grupo de comparação. Foram observadas respostas em alguns pacientes, mas isso não permite concluir que a substância cure todos os tipos de câncer ou definir uma taxa universal de sucesso.
Por que a via de aplicação faz diferença?
Aplicar uma substância diretamente em uma lesão em ambiente de pesquisa não é equivalente a ingerir um suplemento. A preparação, a quantidade, a localização do tumor e o acompanhamento influenciam a interpretação dos resultados.
Também não é correto transformar um resultado em animais ou em uma lesão específica numa promessa de desaparecimento de qualquer câncer em poucos dias. Esse tipo de generalização ignora diferenças entre doenças e entre estudos.
Frutos e extratos não são o medicamento estudado
Um produto comercial chamado Blushwood pode ter composição diferente da preparação utilizada em um ensaio. O nome da planta no rótulo não demonstra equivalência química, qualidade ou eficácia terapêutica.
Antes de avaliar um produto, verifique qual preparação foi pesquisada, em que população e por qual via. Certificados de composição ou procedência podem informar sobre o produto, mas não comprovam que ele trate câncer.
Como interpretar o interesse científico
Pesquisas iniciais ajudam a decidir quais intervenções merecem desenvolvimento. Resultados promissores ainda precisam ser interpretados conforme o desenho do estudo e o acompanhamento disponível. “Em pesquisa” não é sinônimo de tratamento estabelecido.
Não substitua nem adie o cuidado oncológico por frutos, sucos, CBD ou extratos vegetais. Leve dúvidas sobre abordagens experimentais à equipe responsável pelo diagnóstico e pelo tratamento.
