Alguns suplementos são estudados como adjuvantes no tratamento da depressão, ou seja, como possíveis complementos a um plano de cuidado. Isso é diferente de afirmar que substituem antidepressivos ou psicoterapia. A depressão requer avaliação, e a escolha do tratamento considera sintomas, histórico, outras doenças e resposta individual.
O que significa uso adjuvante?
Nos estudos de uso adjuvante, um suplemento pode ser acrescentado ao tratamento que a pessoa já recebe. Quando aparece um benefício, ele não demonstra automaticamente que o suplemento funcionaria sozinho ou para qualquer paciente. Também é preciso avaliar o tamanho do efeito, a duração do acompanhamento e a segurança.
O que foi pesquisado
Uma revisão publicada em 2016 avaliou estudos de nutrientes associados a antidepressivos, incluindo ômega-3, metilfolato, vitamina D e SAMe. Encontrou sinais de benefício em algumas intervenções, mas os resultados variavam entre os produtos e estudos. Essa pesquisa não justifica trocar medicamentos por suplementos.
O NCCIH destaca que a evidência sobre ômega-3 para depressão permanece incerta e que os dados disponíveis não sustentam o uso de SAMe ou inositol como tratamento estabelecido. Resultados positivos isolados precisam ser interpretados junto com estudos negativos e limitações metodológicas.
Corrigir uma deficiência é outra questão
Investigar e corrigir uma deficiência nutricional quando indicada pode fazer parte do cuidado. Isso não significa que altas doses de vitaminas sejam úteis para todas as pessoas com depressão. Exames e suplementação devem responder a uma necessidade clínica, e não apenas a uma promessa de melhora do humor.
Interações e segurança
Informe ao profissional todos os suplementos em uso. Produtos naturais podem interagir com medicamentos. A erva-de-são-joão, por exemplo, apresenta interações relevantes, inclusive com antidepressivos e diversos outros tratamentos. Combinações que afetam a serotonina exigem cuidado.
Não interrompa antidepressivos abruptamente nem altere doses por conta própria. A retirada pode provocar sintomas e exige um plano individual. Se o tratamento não está ajudando ou causa efeitos indesejados, procure reavaliação.
Como conversar com a equipe de saúde
Pergunte qual é o objetivo do suplemento, que evidência existe para a formulação proposta, como será acompanhada a resposta e quais efeitos adversos observar. Sono, alimentação, atividade física possível, psicoterapia e apoio social também podem integrar o cuidado, conforme as necessidades de cada pessoa.
Ideias de suicídio, intenção de se ferir ou incapacidade de manter a própria segurança exigem ajuda imediata de um serviço de emergência e de alguém de confiança.
Leitura complementar e fontes
Revisão de suplementos como adjuvantes de antidepressivos e NCCIH: depressão e abordagens complementares.
