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Saúde Ocular

Complicações da Cirurgia de Catarata: Riscos, Sinais de Alerta e Cuidados

10 de dezembro de 2025 applu 14 min de leitura
Complicações da Cirurgia de Catarata: Riscos, Sinais de Alerta e Cuidados

A cirurgia de catarata é um dos procedimentos oftalmológicos mais realizados no mundo e, de modo geral, apresenta alta taxa de sucesso. Como qualquer cirurgia, entretanto, não é totalmente isenta de riscos.

Complicações podem ocorrer durante o procedimento, nos primeiros dias do pós-operatório ou meses e até anos depois.

Entre as possíveis complicações estão infecção intraocular, inflamação, edema macular, aumento da pressão intraocular, alterações da córnea, descolamento de retina e opacificação da cápsula posterior.

Algumas são relativamente comuns e tratáveis. Outras são raras, mas podem representar uma emergência oftalmológica.

Neste guia, vamos entender os principais riscos da cirurgia de catarata, quais sintomas merecem atenção e por que o acompanhamento pós-operatório é importante.

Importante: este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Dor intensa, piora súbita da visão, flashes luminosos, aumento repentino de manchas no campo visual ou vermelhidão intensa após cirurgia ocular devem ser avaliados rapidamente por um oftalmologista.


A cirurgia de catarata é segura?

De modo geral, sim.

A cirurgia moderna de catarata é considerada um procedimento seguro e eficaz quando corretamente indicada e realizada.

A técnica mais utilizada envolve a remoção do cristalino opacificado e sua substituição por uma lente intraocular artificial (LIO).

Apesar da alta taxa de sucesso, nenhum procedimento cirúrgico possui risco zero.

O risco individual pode variar conforme fatores como:

  • idade;
  • saúde geral;
  • diabetes;
  • glaucoma;
  • doenças da retina;
  • alterações da córnea;
  • uso de determinados medicamentos;
  • cirurgias oculares anteriores;
  • características anatômicas do olho;
  • estágio e tipo da catarata.

Por isso, a avaliação pré-operatória é importante não apenas para confirmar a necessidade da cirurgia, mas também para identificar fatores capazes de aumentar sua complexidade.


Quais são as principais complicações da cirurgia de catarata?

As possíveis complicações podem ser divididas conforme o momento em que surgem.

Durante a cirurgia

Podem ocorrer situações como:

  • ruptura da cápsula posterior;
  • perda vítrea;
  • dificuldade na implantação da lente intraocular;
  • deslocamento de fragmentos do cristalino;
  • hemorragias;
  • lesões de estruturas intraoculares.

Logo após a cirurgia

Entre as complicações possíveis estão:

  • inflamação;
  • aumento da pressão intraocular;
  • edema da córnea;
  • infecção;
  • problemas relacionados à ferida cirúrgica.

Semanas ou meses depois

Podem ocorrer:

  • edema macular cistoide;
  • deslocamento da lente intraocular;
  • alterações refrativas;
  • descolamento de retina;
  • opacificação da cápsula posterior.

Vamos analisar as principais.


1. Opacificação da cápsula posterior

Uma das situações mais conhecidas depois da cirurgia é a opacificação da cápsula posterior, também chamada de PCO pela expressão inglesa posterior capsule opacification.

Ela às vezes é chamada informalmente de:

“catarata secundária”.

Mas esse nome pode causar confusão.

A catarata original não voltou.

Durante a cirurgia, o cristalino opacificado é removido, mas parte da cápsula natural que o envolvia permanece para sustentar a lente intraocular.

Com o tempo, células residuais podem proliferar nessa cápsula e torná-la menos transparente.

Isso pode provocar novamente:

  • visão embaçada;
  • redução do contraste;
  • glare;
  • halos;
  • sensação de que a visão piorou depois de inicialmente ter melhorado.

A opacificação da cápsula posterior pode surgir meses ou anos após a cirurgia.

Quando interfere na visão, frequentemente pode ser tratada com um procedimento chamado capsulotomia posterior com laser Nd.

Portanto:

opacificação capsular posterior não significa que a catarata “cresceu novamente”.


2. Endoftalmite: infecção dentro do olho

A endoftalmite é uma infecção intraocular grave.

É uma complicação rara, mas potencialmente ameaçadora à visão e que exige avaliação e tratamento rápidos.

Pode ocorrer após procedimentos intraoculares quando microrganismos conseguem atingir o interior do olho.

Possíveis sintomas incluem:

  • dor ocular importante;
  • piora significativa da visão;
  • vermelhidão intensa;
  • sensibilidade à luz;
  • secreção;
  • inchaço das pálpebras.

Nem toda vermelhidão ou desconforto após cirurgia significa infecção.

Entretanto, dor crescente acompanhada de piora visual é particularmente preocupante.

Suspeita de endoftalmite é uma urgência oftalmológica.


3. Edema macular cistoide

O edema macular cistoide é outra possível complicação.

A mácula é a região central da retina responsável pela visão de detalhes.

Depois da cirurgia, processos inflamatórios podem favorecer acúmulo de líquido nessa região.

A pessoa pode perceber:

  • visão central borrada;
  • redução da nitidez;
  • distorção;
  • piora visual depois de uma recuperação inicial aparentemente boa.

O edema macular pode aparecer algumas semanas após a cirurgia.

O diagnóstico normalmente envolve exame oftalmológico e pode utilizar tomografia de coerência óptica (OCT) para avaliar a retina.


4. Aumento da pressão intraocular

A pressão dentro do olho pode aumentar temporariamente após a cirurgia.

Isso pode ocorrer por diferentes razões, incluindo resposta inflamatória, materiais utilizados durante o procedimento e características individuais do paciente.

Muitas elevações são transitórias.

Entretanto, aumentos importantes da pressão podem exigir tratamento, especialmente em pessoas com:

  • glaucoma;
  • hipertensão ocular;
  • alterações do nervo óptico.

Por isso, medir a pressão intraocular faz parte do acompanhamento pós-operatório.


5. Edema da córnea

A córnea é a estrutura transparente localizada na parte frontal do olho.

Após a cirurgia, ela pode apresentar edema, principalmente devido ao estresse sofrido pelas células endoteliais durante o procedimento.

Isso pode causar:

  • visão embaçada;
  • halos ao redor das luzes;
  • sensação de “névoa”;
  • desconforto.

Em muitos pacientes o edema melhora conforme o olho se recupera.

Casos persistentes ou intensos precisam de acompanhamento porque determinadas pessoas possuem menor reserva de células endoteliais ou doenças corneanas preexistentes.


6. Ruptura da cápsula posterior

A cápsula do cristalino é uma estrutura extremamente fina.

Durante a cirurgia, pode ocorrer uma ruptura da cápsula posterior.

Essa complicação pode permitir que o vítreo se desloque para a região anterior do olho e alterar a estratégia necessária para remover o cristalino e implantar a lente intraocular.

A ruptura capsular pode aumentar o risco de determinadas complicações pós-operatórias.

Entretanto, sua ocorrência não significa automaticamente perda da visão.

O manejo depende das circunstâncias específicas encontradas durante a cirurgia.


7. Fragmentos do cristalino dentro do olho

Em determinadas situações, pequenos fragmentos do cristalino podem permanecer ou se deslocar para a parte posterior do olho durante uma cirurgia complicada.

Dependendo do tamanho e localização, esses fragmentos podem provocar:

  • inflamação;
  • elevação da pressão intraocular;
  • edema;
  • comprometimento da visão.

Alguns casos podem exigir uma segunda intervenção, como vitrectomia, para remover o material.


8. Deslocamento da lente intraocular

A lente intraocular implantada durante a cirurgia deve permanecer posicionada adequadamente.

Em alguns casos, ela pode:

  • descentralizar;
  • inclinar;
  • deslocar-se significativamente.

Isso pode ocorrer pouco tempo após a cirurgia ou anos depois.

Dependendo da intensidade, o deslocamento pode provocar:

  • visão embaçada;
  • visão dupla em um olho;
  • glare;
  • halos;
  • alterações refrativas.

Casos significativos podem exigir reposicionamento ou troca da lente.


9. Descolamento de retina

O descolamento de retina é uma complicação menos comum, mas potencialmente grave.

O risco não é igual para todas as pessoas.

Alguns fatores podem aumentá-lo, como:

  • miopia elevada;
  • determinadas alterações periféricas da retina;
  • histórico de descolamento no outro olho;
  • ruptura da cápsula posterior;
  • características individuais.

Sinais clássicos que exigem avaliação rápida incluem:

flashes luminosos

aumento súbito de moscas volantes

sombra ou “cortina” no campo visual

perda súbita de parte da visão

Esses sintomas são considerados sinais de alerta mesmo em pessoas que nunca realizaram cirurgia de catarata.


10. Inflamação após cirurgia

Algum grau de inflamação faz parte da resposta normal do organismo a uma cirurgia.

Por isso, colírios anti-inflamatórios são frequentemente utilizados no período pós-operatório conforme prescrição do oftalmologista.

Entretanto, inflamação excessiva ou persistente pode exigir investigação.

Sintomas inesperados ou que estejam piorando em vez de melhorar devem ser comunicados ao profissional responsável.


11. Hemorragias

Sangramentos podem ocorrer em diferentes estruturas do olho, embora complicações hemorrágicas graves sejam incomuns.

O risco pode variar conforme:

  • doenças sistêmicas;
  • alterações vasculares;
  • características anatômicas;
  • medicamentos;
  • complexidade da cirurgia.

Medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários não devem ser suspensos por conta própria antes de uma cirurgia.

A decisão deve ser tomada pelos profissionais responsáveis considerando simultaneamente o risco ocular e cardiovascular.


12. Olho seco após cirurgia de catarata

Algumas pessoas apresentam ou percebem piora de sintomas de olho seco após a cirurgia.

Os sintomas podem incluir:

  • ardor;
  • sensação de areia;
  • lacrimejamento;
  • flutuação da visão;
  • desconforto;
  • sensação de corpo estranho.

A superfície ocular pode ser afetada temporariamente pelo procedimento, medicamentos tópicos e outros fatores.

Pessoas que já possuíam doença da superfície ocular antes da cirurgia podem perceber sintomas mais intensos.


Visão embaçada depois da cirurgia significa complicação?

Nem sempre.

É comum que a visão não esteja perfeita imediatamente após o procedimento.

Nos primeiros dias podem existir:

  • edema;
  • inflamação leve;
  • dilatação residual da pupila;
  • adaptação à lente intraocular;
  • alterações da superfície ocular.

A tendência esperada é de recuperação progressiva.

O que merece atenção é:

piora significativa ou repentina da visão, especialmente quando acompanhada de dor, vermelhidão intensa ou outros sintomas importantes.


Quais sintomas são sinais de alerta depois da cirurgia?

Procure orientação oftalmológica rapidamente diante de sintomas como:

  • piora súbita da visão;
  • dor ocular forte ou crescente;
  • vermelhidão intensa;
  • secreção;
  • flashes luminosos;
  • aumento repentino de moscas volantes;
  • sombra ou cortina no campo visual;
  • náuseas acompanhadas de dor ocular intensa;
  • trauma no olho operado.

Em situações potencialmente graves, não é adequado simplesmente aguardar a próxima consulta programada.


A catarata pode voltar depois da cirurgia?

A catarata propriamente dita não volta.

O cristalino natural que desenvolveu a catarata foi removido durante a cirurgia.

O que pode acontecer posteriormente é a opacificação da cápsula posterior.

Como essa alteração também causa visão embaçada, popularmente ficou conhecida como “catarata secundária”.

Mas são fenômenos diferentes.

Essa distinção é importante porque frequentemente aparecem na internet expressões como:

“minha catarata voltou depois da cirurgia”.

Na maioria desses casos, é necessário investigar se existe opacificação capsular posterior ou outra causa de piora visual.


Cirurgia de catarata pode dar errado?

Qualquer cirurgia pode apresentar complicações.

Entretanto, dizer simplesmente que “a cirurgia pode dar errado” não ajuda a entender o risco real.

A cirurgia moderna de catarata possui alta taxa de sucesso, e complicações graves são relativamente incomuns.

Ao mesmo tempo, determinadas complicações podem causar perda visual se não forem reconhecidas e tratadas rapidamente.

Por isso, dois extremos devem ser evitados:

“cirurgia de catarata não tem risco nenhum”

e

“cirurgia de catarata é perigosa”.

Nenhuma das duas afirmações representa adequadamente a realidade.


Quem possui maior risco de complicações?

O risco pode ser maior em determinadas situações, como:

  • cataratas muito avançadas;
  • glaucoma;
  • doenças da retina;
  • diabetes;
  • alterações corneanas;
  • trauma ocular anterior;
  • inflamação ocular;
  • cirurgia ocular anterior;
  • pupila pequena;
  • alterações dos ligamentos que sustentam o cristalino;
  • determinadas características anatômicas.

Isso não significa que essas pessoas não possam realizar cirurgia.

Significa que o planejamento pode precisar ser adaptado e que o acompanhamento pode exigir atenção adicional.


Como reduzir os riscos após a cirurgia?

A prevenção de complicações não depende apenas da cirurgia.

O período pós-operatório também é importante.

De maneira geral:

  • utilize os medicamentos prescritos corretamente;
  • não altere doses por conta própria;
  • evite tocar ou esfregar o olho;
  • mantenha higiene adequada;
  • compareça às consultas de acompanhamento;
  • siga as orientações sobre atividades físicas;
  • utilize proteção ocular quando recomendada;
  • comunique sintomas inesperados rapidamente.

As orientações específicas do cirurgião responsável sempre prevalecem, pois podem variar conforme técnica utilizada e características do paciente.


Cirurgia de catarata é sempre necessária?

Não necessariamente no momento em que a catarata é diagnosticada.

A indicação cirúrgica costuma considerar o quanto a catarata interfere em:

  • leitura;
  • direção;
  • trabalho;
  • mobilidade;
  • reconhecimento de pessoas;
  • atividades cotidianas;
  • qualidade de vida.

Em alguns casos iniciais, mudanças na graduação dos óculos e melhor iluminação podem ajudar temporariamente.

A decisão sobre o momento adequado para operar deve ser individualizada.


Existem alternativas à cirurgia de catarata?

Essa pergunta merece cuidado.

Atualmente, quando uma catarata causa comprometimento visual significativo, a remoção cirúrgica do cristalino opacificado com implantação de lente intraocular é o tratamento estabelecido.

Existem pesquisas sobre substâncias que poderiam atuar em mecanismos relacionados à opacificação do cristalino, incluindo antioxidantes e outros compostos.

Entre as moléculas investigadas está a N-acetilcarnosina (NAC).

Entretanto:

uma substância estar sendo estudada não significa que esteja comprovada como substituta da cirurgia.

Não é recomendado adiar uma cirurgia indicada por um oftalmologista com base exclusivamente em alegações de produtos comercializados como capazes de “dissolver” ou “reverter” catarata.

Para quem deseja conhecer especificamente essa linha de pesquisa, reunimos a literatura em:

Can-C e N-Acetilcarnosina: Guia Completo sobre Colírio, Catarata e Evidências

E para uma análise metodológica dos estudos:

N-Acetilcarnosina: Estudos Científicos, Evidências Clínicas e Limitações

FAQ — Riscos da cirurgia de catarata

Cirurgia de catarata é perigosa?

De modo geral, é considerada uma cirurgia segura e com alta taxa de sucesso. Entretanto, como qualquer procedimento, possui riscos e possíveis complicações.

Qual é a complicação mais comum depois da cirurgia?

A opacificação da cápsula posterior é uma das alterações tardias mais conhecidas. Ela não representa o retorno da catarata e frequentemente pode ser tratada com laser.

É normal enxergar embaçado depois da cirurgia?

Algum embaçamento pode ocorrer no início da recuperação. Piora súbita, intensa ou acompanhada de dor deve ser avaliada rapidamente.

A catarata pode voltar?

Não. O cristalino natural opacificado é removido. O que pode surgir posteriormente é opacificação da cápsula que sustenta a lente intraocular.

Posso ficar cego durante uma cirurgia de catarata?

Complicações capazes de causar perda visual grave são possíveis, mas são incomuns. O risco individual depende de diversos fatores clínicos e cirúrgicos.

Quais sintomas são preocupantes depois da cirurgia?

Dor forte, perda ou piora súbita da visão, vermelhidão intensa, flashes, aumento súbito de moscas volantes e sensação de cortina no campo visual exigem avaliação rápida.

O que é catarata secundária?

É o nome popular dado à opacificação da cápsula posterior. Não é uma nova catarata.

Todo paciente com catarata precisa operar?

Não imediatamente. A indicação costuma depender do impacto da catarata sobre a visão e as atividades cotidianas, além da avaliação oftalmológica.

Existe colírio comprovado que substitua a cirurgia?

Atualmente, colírios pesquisados para catarata não devem ser considerados substitutos clinicamente estabelecidos da cirurgia quando ela está indicada.


Conclusão

A cirurgia de catarata apresenta alta taxa de sucesso, mas não é completamente livre de riscos.

Entre as possíveis complicações estão:

opacificação da cápsula posterior, edema macular, aumento da pressão intraocular, edema da córnea, infecção, ruptura capsular, deslocamento da lente intraocular e descolamento de retina.

A frequência e a gravidade dessas complicações variam bastante.

Algumas são relativamente simples de tratar, enquanto outras exigem atendimento oftalmológico urgente.

Por isso, uma boa cirurgia de catarata envolve não apenas o procedimento em si, mas também:

avaliação pré-operatória + técnica adequada + acompanhamento pós-operatório + reconhecimento precoce de sinais de alerta.

Se você chegou a este artigo pesquisando possíveis abordagens não cirúrgicas, consulte nossa análise científica sobre:

Can-C, N-Acetilcarnosina e Catarata: o que mostram as evidências?

A decisão de adiar, realizar ou substituir qualquer tratamento indicado para catarata deve ser discutida com um oftalmologista.


Referências recomendadas

  • National Eye Institute (NEI) — Cataracts: diagnóstico, tratamento e cirurgia.
  • American Academy of Ophthalmology (AAO) — informações sobre cirurgia de catarata e complicações.
  • National Health Service (NHS) — Cataract surgery: recuperação, riscos e possíveis complicações.
  • Literatura científica revisada por pares sobre complicações da facoemulsificação e cirurgia de catarata.

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