Atualizado em 10 de outubro de 2026.

A carmoisina, também chamada de azorrubina, é um corante vermelho identificado pelo número INS 122 ou E122. Sua função é modificar a aparência do alimento. Para entender possíveis riscos, é preciso separar a identidade do ingrediente, a quantidade consumida e o tipo de evidência disponível.
Como identificar carmoisina no rótulo
Procure a lista de ingredientes e a identificação do corante. Nomes comerciais e códigos variam entre mercados; a referência INS 122 ajuda a distinguir a substância de outros pigmentos vermelhos. Carmoisina não é sinônimo de carmim de cochonilha, e produtos com aparência semelhante podem usar ingredientes diferentes.
Compare com os nossos guias sobre tartrazina e carmim E120. A cor da embalagem ou do alimento, sozinha, não identifica o aditivo.
O que significa a ingestão diária aceitável
A ficha do JECFA, com avaliação registrada em 1983, apresenta ingestão diária aceitável de 0–4 mg/kg de peso corporal para carmoisina. Trata-se de uma referência de avaliação de exposição, não de uma quantidade recomendada para consumir nem de um limite que se calcula apenas olhando a cor do produto.
O rótulo normalmente permite reconhecer a presença do corante, mas não necessariamente informa sua quantidade em cada porção. Por isso, a presença do nome na lista de ingredientes não permite concluir que houve excesso de exposição.
Carmoisina causa hiperatividade?
O estudo de Southampton investigou misturas de aditivos, incluindo corantes e benzoato de sódio. Na avaliação publicada pela EFSA em 2008, os resultados forneceram evidência limitada de pequenos efeitos sobre atividade e atenção de algumas crianças, com diferenças entre grupos e misturas. O desenho não permitia atribuir os resultados à carmoisina isoladamente.
Assim, dizer que esse estudo provou que carmoisina causa hiperatividade em qualquer criança ultrapassa o que foi investigado. Suspeitas individuais devem considerar o alimento completo, o padrão de consumo e outros fatores; não apenas um ingrediente escolhido de antemão.
Alergia e câncer: como interpretar essas afirmações
Na reavaliação divulgada em 2009, a EFSA informou que a evidência disponível não permitia uma conclusão firme sobre intolerância à carmoisina. Isso não descarta investigar sintomas após alimentos, mas também não sustenta uma lista de reações inevitáveis para todos os consumidores.
A frase genérica de que o corante causa câncer também não descreve adequadamente a literatura. Um estudo de longa duração em ratos não encontrou carcinogenicidade nas condições testadas. Estudos animais precisam ser interpretados por desenho, dose e resultado; não transformados automaticamente em previsão de doença em pessoas.
É proibida em todos os países?
Autorização de uso, categorias de alimentos e exigências de rotulagem dependem do país e da norma vigente. Listas antigas de países publicadas sem a referência legal correspondente não servem para confirmar a situação atual. Advertência no rótulo, restrição de uso e proibição são situações diferentes.
Uma comparação útil na compra
Se a preferência é reduzir corantes, compare listas de ingredientes de produtos equivalentes. Observe também composição nutricional, porções e frequência de consumo. Um alimento sem corante artificial não se torna automaticamente mais nutritivo, e um produto de cor intensa não revela, por si só, qual corante contém.
Para uma suspeita de reação, registre produto, ingredientes, quantidade e horário dos sintomas e leve essas informações ao atendimento. Evite transformar uma associação percebida em diagnóstico ou excluir diversos alimentos sem uma avaliação individual.