Pular para o conteúdo
Tratamentos e prevenção

Tratamento natural para câncer: o que a ciência diz e quais cuidados tomar

29 de novembro de 2019 applu 5 min de leitura
Tratamento natural para câncer: o que a ciência diz e quais cuidados tomar

Receber um diagnóstico de câncer, mesmo em estágio inicial e com boas chances de cura, costuma causar um forte impacto emocional. Muitas pessoas sentem que perderam o controle sobre o próprio futuro e passam a buscar alternativas que devolvam essa sensação de autonomia. É nesse momento que surge a dúvida: existe tratamento natural para câncer?

Na tentativa de encontrar respostas, muitos pacientes recorrem à internet, amigos e conhecidos, onde não faltam relatos de curas milagrosas por meio de tratamentos alternativos que prometem evitar cirurgias, quimioterapia ou radioterapia. Mas até que ponto essas informações são confiáveis?

Neste artigo, você vai entender o que são tratamentos naturais e alternativos, o que dizem as pesquisas científicas, quais são os riscos e quais práticas podem ser usadas de forma complementar e segura.


O uso de tratamentos naturais e alternativos

De acordo com pesquisas sobre Medicina Integrativa no Câncer, cerca de 83% dos pacientes oncológicos utilizam algum tipo de terapia alternativa ou complementar. Entre elas estão:

  • Acupuntura
  • Uso de ervas
  • Vitaminas e suplementos
  • Ioga e meditação

Na maioria dos casos, essas práticas são utilizadas junto aos tratamentos convencionais, e não como substituição. Ainda assim, uma parcela dos pacientes opta por abandonar terapias comprovadas, o que pode representar sérios riscos.


Cuba e a pesquisa de novos tratamentos naturais

Cuba ganhou destaque internacional ao anunciar pesquisas para o desenvolvimento de um medicamento de origem natural contra o câncer, conduzidas pelo laboratório estatal Labiofam.

O composto estudado é formado por oito peptídeos, extraídos de uma espécie de escorpião e reproduzidos por técnicas de engenharia genética. Em testes pré-clínicos com ratos, os pesquisadores observaram reduções significativas no tamanho dos tumores em poucos dias.

Apesar dos resultados iniciais animadores, é importante destacar que:

  • Os testes ainda estavam em fase pré-clínica
  • Medicamentos só podem ser considerados seguros após testes clínicos em humanos
  • Não havia, até então, aprovação para uso em massa

Ou seja, trata-se de pesquisa científica em andamento, não de um tratamento disponível ou comprovado.


Por que algumas pessoas rejeitam o tratamento convencional?

Um número menor, mas relevante, de pacientes opta por recusar os tratamentos indicados por oncologistas, buscando apenas alternativas naturais. Entre os principais motivos estão:

  • Medo dos efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia
  • Desejo de manter controle total sobre o tratamento
  • Crença de que produtos naturais são sempre inofensivos

É justamente nesse contexto que surgem boatos e falsas promessas sobre tratamentos naturais para câncer.


Tratamentos alternativos são realmente inofensivos?

Nem sempre. Substituir terapias comprovadas por métodos sem respaldo científico pode ter consequências graves. Quando um tratamento eficaz é abandonado, o risco de progressão da doença aumenta consideravelmente.

O que dizem as pesquisas científicas?

Um estudo da Faculdade de Medicina de Yale, que acompanhou 281 pacientes com câncer potencialmente curável (mama, pulmão, cólon, reto e próstata), mostrou que:

  • Pacientes que optaram apenas por tratamentos alternativos tiveram uma taxa de mortalidade 2,5 vezes maior
  • Mulheres com câncer de mama apresentaram risco quase seis vezes maior de morte
  • Câncer de cólon e reto: mortalidade 4,5 vezes maior
  • Câncer de pulmão: mortalidade duas vezes maior

A única exceção foi o câncer de próstata, possivelmente por seu crescimento mais lento. Os resultados foram publicados no Journal of the National Cancer Institute.


Medicina complementar e integrativa: uma abordagem mais segura

Diferente da medicina alternativa, a medicina complementar é utilizada junto aos tratamentos convencionais, com o objetivo de:

  • Reduzir efeitos colaterais
  • Melhorar o bem-estar
  • Ajudar no controle de sintomas como dor, ansiedade e náuseas

Já a medicina integrativa combina tratamentos clinicamente comprovados com práticas complementares reconhecidas como seguras. Importante destacar que ela não substitui o tratamento tradicional.


Atenção aos riscos dos tratamentos alternativos

Nem todas as terapias naturais são seguras. Algumas podem:

  • Interferir na eficácia de medicamentos
  • Provocar reações adversas
  • Aumentar riscos quando usadas sem orientação médica

A Sociedade Americana de Câncer recomenda que os pacientes conversem com seus médicos antes de usar qualquer suplemento ou terapia complementar, levando uma lista completa do que estão utilizando ou pretendem utilizar.


Tratamentos naturais que podem ajudar como complemento

Quando usados apenas como complemento, e nunca como substituição, algumas práticas podem auxiliar no alívio de sintomas causados pelo câncer ou por seus tratamentos:

  • Acupuntura: alívio de dores e náuseas
  • Aromaterapia: redução de estresse e desconforto (com cautela)
  • Exercícios físicos: combate ao cansaço e melhora do sono
  • Hipnose: controle da dor e do estresse
  • Massagem: alívio da ansiedade e fadiga (com restrições)
  • Meditação: redução da ansiedade
  • Musicoterapia: ajuda no controle da dor e náuseas
  • Técnicas de relaxamento: melhora do sono
  • Tai chi: equilíbrio e redução do estresse
  • Ioga: melhora da qualidade do sono e bem-estar
  • Vitamina B17 (sempre com orientação profissional)

Conclusão

Buscar informações sobre tratamento natural para câncer é compreensível, mas é fundamental separar esperança de evidência científica. Até o momento, não existe comprovação de que tratamentos naturais curem o câncer quando usados isoladamente.

As terapias naturais podem ter espaço como complemento, desde que orientadas por profissionais de saúde e integradas ao tratamento convencional. A escolha final é sempre do paciente, mas deve ser feita com informação, cautela e acompanhamento médico.

Se este conteúdo ajudou você a entender melhor o tema, deixe seu comentário e compartilhe sua opinião. Sua participação é muito importante!

Compartilhe este artigo:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *